Canto X

O som metálico da porta fechando ecoou pelas paredes de pedra, um estrondo final que selava o caminho atrás de nós. Cruzei o limiar sabendo que a entrada para aquele reino não era apenas física, mas psicológica: a porta que o desejo distorcido das almas raramente utiliza, preferindo as rotas fáceis que fazem o erro parecer o caminho reto. Se eu tivesse olhado para trás, que desculpa poderia dar para tal fraqueza?

O caminho à frente era uma fenda estreita na rocha, um desfiladeiro que serpenteava e oscilava como uma onda que avança e recua. Era um teste de agilidade e paciência.

— Aqui precisaremos de um pouco de técnica — comentou Virgílio, sua voz calma contrastando com o esforço da subida. — Devemos nos manter próximos à parede que se afasta em cada curva.

Avançamos com cautela, passos curtos e calculados. O esforço foi tão intenso que a lua já havia se recolhido ao seu leito no horizonte quando finalmente emergimos daquela garganta rochosa. Estávamos livres, em um patamar onde a montanha recuava para abrir espaço a uma plataforma solitária, mais desolada que uma trilha em um deserto esquecido.

Meus pulmões queimavam. Parei, exausto, tentando entender a geografia daquele lugar. O terraço era estreito, com pouco mais de três metros de largura da beirada até o pé da encosta que subia verticalmente. Olhei para a esquerda e para a direita: a extensão parecia infinita e uniforme.

Antes mesmo que déssemos o primeiro passo naquele novo nível, notei que a parede interna, de um mármore branco puríssimo, não era uma rocha comum. Ela estava coberta por baixos-relevos tão perfeitos que fariam Policleto sentir inveja. A própria natureza pareceria grosseira perto daquela perfeição.

Ali, diante de mim, o anjo que trouxe à Terra o decreto da paz há tanto tempo esperada parecia ganhar vida. A escultura de Gabriel era tão vívida, seu gesto tão suave, que não parecia uma imagem silenciosa. Eu poderia jurar que o ouviria dizer Ave. E ali estava ela, a mulher que abriu a chave para o amor supremo, com o rosto expressando as palavras Ecce ancilla Dei com a precisão de um selo sobre a cera.

— Não foque sua mente em apenas um ponto — alertou meu mestre, percebendo meu transe. Ele estava posicionado à minha esquerda, o lado do coração.

Desviei o olhar para além da figura de Maria e vi outra história gravada no mármore. Contornei Virgílio para me aproximar, meus olhos ávidos pela narrativa esculpida. Era o carro de bois puxando a arca sagrada, o lembrete visual do perigo de assumir funções que não nos pertencem. À frente, pessoas divididas em sete coros criavam uma ilusão cognitiva: meus ouvidos diziam “não ouço nada”, mas meus olhos gritavam “eles estão cantando”. O mesmo acontecia com o incenso esculpido; o nariz negava o que a visão afirmava.

Davi, o humilde salmista, dançava diante do receptáculo sagrado, mais e menos que um rei naquele momento de entrega. E de uma janela de um grande palácio, Micol observava tudo com um olhar amargo e desdenhoso, uma imagem de tristeza orgulhosa.

Movi-me novamente para examinar a próxima cena que brilhava mais adiante. Era a glória do principado romano, a história que moveu Gregório à sua grande vitória espiritual. Falo do imperador Trajano. Uma viúva pobre segurava as rédeas de seu cavalo, o rosto marcado por lágrimas e sofrimento. Ao redor deles, a cena parecia pulsar com o movimento de cavaleiros e águias douradas que tremulavam ao vento contra o céu de mármore.

— Senhor — parecia dizer a mulher, em um apelo desesperado —, vinga meu filho, cujo assassinato despedaça meu coração.

— Espera até que eu retorne — respondia o imperador na pedra.

— Mas senhor — replicava ela, com a urgência de quem não pode esperar pela justiça —, e se tu não voltares?

— Quem estiver no meu lugar fará por ti.

— O bem alheio de nada te servirá se esqueceres o teu próprio dever — insistia a viúva.

— Consola-te — concluiu ele, finalmente cedendo. — É justo que eu cumpra minha obrigação antes de seguir. A justiça exige e a piedade me detém.

Aquele que nunca viu nada de novo sob o sol criou essa linguagem visual, um prodígio para nós, pois na Terra tal perfeição não existe. Enquanto eu me perdia na contemplação daquelas lições de humildade, o poeta sussurrou:

— Olhe, muitas pessoas se aproximam por ali, embora caminhem lentamente. Elas nos indicarão o caminho para os níveis superiores.

Meus olhos, sempre famintos por novidades, voltaram-se rapidamente para a direção que ele indicava. Não quero, leitor, que você se desvie do seu bom propósito ao ouvir como Deus exige o pagamento de certas dívidas. Não foque no tormento, mas no que vem depois; pense que, no pior dos cenários, o sofrimento não ultrapassará o Grande Julgamento.

— Mestre — comecei, forçando a vista —, o que vejo vindo em nossa direção não me parecem pessoas. Meus olhos estão falhando, ou é a escuridão?

— A condição terrível do castigo deles os esmaga contra o chão — respondeu Virgílio. — Até meus olhos tiveram dificuldade no início. Mas olhe fixamente. Tente desembaraçar com a visão o que está sob aquelas pedras. Veja como cada um se golpeia em sinal de penitência.

Oh, cristãos soberbos, miseráveis e exaustos de espírito! Vocês que, doentes da visão mental, confiam em passos que os levam para trás. Não percebem que somos apenas vermos, nascidos para formar a borboleta angélica que voa para a justiça sem defesas? Por que suas mentes flutuam tão alto, se não passam de insetos defeituosos, como um verme cuja formação falhou?

Como às vezes vemos uma figura esculpida servindo de suporte para um teto, com os joelhos pressionados contra o peito — uma imagem de agonia artificial que gera uma angústia real em quem a vê —, assim estavam aquelas almas quando olhei com atenção.

Estavam curvados, uns mais, outros menos, de acordo com o peso que carregavam nas costas. Até aquele que parecia ter mais paciência em seus gestos, parecia dizer, entre soluços e lágrimas: Não aguento mais.