Influenciadora rezando na igreja é IMPRESSIONANTE
Recentemente, tive o desprazer de ver um reels horrível. Na verdade, como comentou uma pessoa, eu diria que foi um “vídeo satânico”.
Para resumir: no vídeo em questão, uma subcelebridade — do nível de “influenciadora” — está de joelhos em um local que parece ser o interior de uma igreja católica, aparentemente logo após o término de uma missa.
Enquanto a influenciadora está de joelhos e com um terço na mão, em um ato que parece ser de oração, muitos dos fiéis que também estavam na igreja formam uma espécie de círculo ao seu redor.
Porém, o círculo foi formado simplesmente para venerar a influenciadora. Eles também estavam filmando a mulher com seus celulares. No vídeo, podemos ver inclusive crianças presentes.
Além disso, em determinado ângulo de movimentação do cinegrafista, aparece um crucifixo ao fundo — representando a imagem de Jesus crucificado.
Para aqueles que não sabem, eu sou católico. E, apesar de estar em débito comigo mesmo nesse quesito, sinto-me na obrigação de trazer uma reflexão sobre alguns pontos insanos presentes nesse vídeo.
O ponto principal que abordarei aqui é que alguém pode tentar justificar a cena dizendo que “é a mesma coisa que acontece com os santos”, que os católicos “adoram santos”, e que “não há nada de diferente nisso”, etc.
Não quero entrar em pontos profundos da teologia aqui, até porque não sou especialista — sou apenas um leigo. Mas, em primeiro lugar, os santos não foram humanos corruptos e asquerosos em vida. Foram, sim, pecadores, como todos nós, mas entregaram suas vidas a Cristo, muitas vezes por meio do próprio martírio.
Isso, por si só, já escancara o quão triste é ver fiéis preferindo venerar outro ser humano — dotado de falhas e que sequer demonstra o desejo de entregar sua vida por Cristo e/ou por Sua obra. Isso, a meu ver, é um fato, não uma opinião.
Em segundo lugar, santos e imagens na Igreja Católica não devem ser tomados ao ponto de veneração extrema — a ponto de deixar Jesus de lado. E, sim, infelizmente muitos católicos confundem o fato de sermos encorajados a admirar bons exemplos humanos com o ato de prestar reverência total a essas figuras.
Ou seja, até mesmo com os próprios santos já seria estranho deixar Cristo de lado para fazer isso. Imagine, então, deixar Cristo de lado por causa de um outro ser humano que, possivelmente, nem sequer pratica a Eucaristia e a confissão — que são benefícios para a própria alma! E, claro, mesmo que praticasse, ainda assim, não é alguém que esteja ali para ser exemplo, muito menos o foco.
Em terceiro lugar, a figura em questão possui atitudes que a distanciam totalmente da fé cristã — mais ainda da fé católica. Obviamente, não preciso citar essas atitudes aqui. Todos sabem muito bem.
Estar de joelhos, de cabeça baixa e com um terço na mão não deve ser classificado como algo admirável para ninguém. Na verdade, isso é algo que todos nós deveríamos fazer espontaneamente — o mínimo que podemos oferecer.
Se, em meio a tudo isso, a moça está buscando o início de sua conversão a Cristo: ótimo. Mas isso ainda não justifica que pessoas profanem o templo de Jesus dessa forma. Ela é uma pecadora, assim como todos nós.
Como disse, nenhum de nós é digno de sequer estar na presença de Cristo — mesmo que Ele tenha morrido na Cruz por nós. Tudo o que fazemos por Jesus é apenas um privilégio, e não mérito. Afinal, pecamos todos os dias, e o pecado, por si só, nos afasta da redenção que Ele nos deixou.
Portanto, participar de um momento em que o foco de Cristo é desviado para alguém tão pecador quanto todos nós é, no mínimo, uma atitude grotesca — ao meu ver.
Agora, preciso deixar um ponto importante: estaria eu apontando o erro da pessoa em questão? Estaria eu assumindo a postura de fariseu ao refletir sobre essas coisas?
Definitivamente, acredito que não. Afinal, muitos erros nem precisam ser evidenciados — eles se expõem por si sós. Além disso, vejamos minhas conclusões a seguir, que trarei em formato de experimento mental, como uma suposição.
Imaginemos que tivéssemos outro vídeo, mostrando um cenário hipotético. A mulher em questão chega para se ajoelhar (não importa o motivo). Nisso, as pessoas ao redor, uma a uma, também se ajoelham, formando o mesmo círculo ao redor dela. Mas, ao invés de estarem ali como paparazzi, estariam como irmãos acolhedores.
Então, alguém que presencia isso resolve filmar com o celular essa multidão de peregrinos de Cristo, todos orando juntos… Uau.
Me diga:
Seria ou não seria uma imagem linda?!
Uma situação dessas, definitivamente, não favoreceria positivamente a imagem da pessoa em questão?
Esse ato conjunto não seria visto por todos como um gesto de misericórdia e acolhimento por parte da comunidade?
Deixo a reflexão com vocês.
De qualquer forma, devo dizer: nós, como humanidade, cada vez mais nos tornamos mais e mais perversos com nossos próprios valores. Estamos nos distanciando muito do que realmente é servir a Cristo. E essa crítica é para todos — inclusive para mim mesmo.
O vídeo é apenas um exemplo. Até porque ainda não quero tocar no vespeiro chamado “política”, que também é mais um exemplo evidente.
Muitas vezes, esquecemos qual é, de fato, o cerne da questão:
O que estamos fazendo ao nos intitularmos “cristãos”?